Luzes, Câmeras, Imaginação.

paraisopolis

Colunas de fumaça sobem a partir das 17h e atingem vários metros de altura, o suficiente para serem vistos pelos helicópteros das emissoras de TV. Nesta hora, eles decolam em busca de qualquer coisa diferente na cidade que possa garantir vários minutos de comentários do apresentador. Outro dia, uma moto ficou presa no divisor de pistas da marginal. guarderreio? Guaard- rrail? O apresentador consome quase um minuto só para brincar com a pronúncia. O resto será usado para tentar imaginar como foi o acidente. Sim, imaginar, supor. Assim é o jornalismo local de fim de tarde em alguns canais.

Voltando às colunas de fumaça, que foi produzida por moradores de Paraisópolis, comunidade vizinha (mesmo) do bairro do Morumbi e de algumas emissoras, para protestar contra a morte de um homem pela polícia. Essa é a informação preliminar, levantada enquanto mais um carro era banhado em combustível. Até o fim do jornal (que dura 15 min) sairá o dado de que o elemento era um fugitivo da cadeia de Franco da Rocha, cidade que fica no extremo norte. Ele foi encontrado na zona sul da capital Impossível não pensar quantos outros “elementos perigosos” conseguem cruzar a cidade com tamanha facilidade no intervalo de um dia.

Logo, tivemos uns 8 minutos de imagens, muitas ao vivo, de informações preliminares e poucas respostas para as perguntas: porque os moradores fizeram o que fizeram e o que ganharam com isso? A vida do homem certamente não será restaurada. Os policiais pensarão duas vezes antes de abordar com violência um morador? A cidade vai passar a temer (o que é muito diferente de respeitar) os habitantes de áreas carentes?

E três horas depois, esses quase 8 minutos de imagens que mostram muito mas não explicam nada estão disponíveis em destaque na Internet, como chamada principal de um site de notícias vinculado ao canal que exibiu as imagens. Os momentos de tensão agora ficarão disponíveis por mais tempo, assim como as incertezas.

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2 Respostas para “Luzes, Câmeras, Imaginação.”

  1. Carol Porne Disse:

    Tanto tempo nas nossas tardes e o que essas imagens de fato acrescentam? Pontos de audiência e medo que, como você mesmo disse, é bem diferente do respeito que se deve ter para com quem mora nessas comunidades…

    Uma pena o sensacionalismo não se conter aos programas de TV apresentados por homens gritões que acham que estão resolvendo alguma coisa…os outros meios estão impregnados dele também…

    Excelente como sempre amor..!

  2. Igor Disse:

    Isso é um fato, mas será que o sensacionalismo não ocorre desse modo por causa da população em que para ao lado do ‘acidente’ para ver o que acontece sem ao menos perguntar!? E vemos isso todos os dias e cada vez mais vemos pessoas querendo saber algo sem perguntar, e é isso que ocorre no jornal da tarde, saber sem ao menos perguntar.
    Bom post garoto

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